sábado, 12 de junho de 2010

FIQUE POR DENTRO - AS CURTINHAS DO MÊS DE JUNHO NO VALE DO JARI

FIQUE POR DENTRO

Por F. LOPES*


MEDICAMENTOS GENÉRICOS: JÁ PENSOU SE NÃO EXISTISSE?

Todas as vezes que vou à farmácia tenho que perguntar ao atendente se existe um remédio genérico com a mesma fórmula e qualidade do receitado. Em geral, consigo adquirir o mesmo medicamento por um preço muito mais barato. Nesse momento sinto-me obrigado a destacar a importância do ex-ministro da saúde José Serra, pois se não fossem os genéricos é provável que os nossos proventos não dariam para pagar nem os mais simples medicamentos. É claro que me refiro aos que, iguais a mim, são membros da classe pobre!!!

DEFENSORES DAS CAUSAS EXCUSAS

A pré-candidata Marina Silva (PV) se disse uma legítima representante dos interesse das mulheres negras; a Dilma Roussef (PT) se acha defensora das causas femininas. Já em favor do José Serra (PSDB) existe uma história de competência, sobretudo quando foi Ministro da Saúde, considerado um dos melhores do mundo. Serra criou os genéricos e democratizou os medicamentos para tratamento dos portadores do HIV.

BANCO DO BRASIL E PREFEITURA DE LARANJAL

Numa decisão totalmente infeliz, a Prefeitura de Laranjal do Jari transferiu o pagamento dos servidores que recebiam no Bradesco para o Banco do Brasil sem o devido conhecimento dos mesmos e sem a devida antecedência. Embora a decisão da PMLJ tenha sido aparentemente dentro da legalidade, causou vários transtornos aos servidores, principalmente aqueles que contraíram empréstimo no banco Bradesco. O Governo do Estado/AP já havia tomado uma decisão semelhante, entretanto houve um convênio formalizado para que tanto o empregador quanto os servidores tivessem direito a uma série de benefícios, inclusive a isenção da taxa de manutenção para a conta simples. No caso do acordo da PMLJ, os servidores receberam benefício algum.

CONTRA-CHEQUE ON-LINE DA PMLJ

Brilhante a iniciativa da Prefeitura de Laranjal ao disponibilizar o contra-cheque dos seus servidores na internet, só lamentamos o fato de que o setor de RH não esteja disponibilizando o holerite impresso. Vale ressaltar que o comprovante de rendimentos impresso é uma obrigação do empregador e que algumas instituições não aceitam aqueles retirados pela internet. Além de tudo é importante que o site seja atualizado e permaneça no ar permanentemente!!!

SEGURANÇA PÚBLICA EM LARANJAL
Apesar de os números oficiais apontarem a redução da violência e criminalidade em Laranjal do Jari, o fato é que a sensação de insegurança nos cidadãos laranjalenses cresce assustadoramente, pois são corriqueiros os assaltos em lugares da cidade antes considerados tranqüilos. Os celulares são os objetos mais subtraídos pelos delinqüentes. A incoerência entre os dados oficiais e a realidade pode estar ligada ao fato de que a maioria das vítimas não faz o registro de ocorrência na Delegacia de Polícia, logo o grande número de furtos e assaltos está à margem das estatísticas dos governantes. O B.O.pode não culminar com a prisão dos marginais, mas aumentará os números oficiais!

OUTROS TEMPOS EM LARANJAL
Há justamente um ano atrás a prefeita Euricelia Cardoso recorria ao TSE para reaver o mandato perdido em 1ª e 2ª instâncias, enquanto isso, uma parte dos correligionários do seu grupo político baixava a guarda e caminhava num mar de humildade nunca antes visto. Com o triunfante retorno da maior liderança política do município laranjalense, esses correligionários arrogantes esqueceram os tempos difíceis, abandonaram a pele de cordeiro e passaram, inclusive, a atirar contra o próprio grupo. A pior coisa numa guerra é o fogo amigo e isso deverá se refletir nas próximas eleições. É só aguardar para ver!

EURICELIA: O PRÓXIMO DESAFIO DA GUERREIRA

Jovem, inteligente, extremamente simpática e determinada, a prefeita de Laranjal do Jari, Euricelia Melo Cardoso (PP/AP) conquistou a admiração e o respeito até mesmo dos seus adversários políticos dentro e fora dos limites do município. Após superar todos os desafios encontrados, a gestora municipal retornou ao cargo mais firme e decidida a transformar o município num verdadeiro canteiro de obras. O próximo desafio será reunir o seu grupo político em torno dos candidatos que apoiará nas próximas eleições, a começar pelo correligionário e governador Pedro Paulo Dias. Pelo que tenho visto nos bastidores, não será uma tarefa fácil!

A política é a arte de captar em proveito próprio a paixão dos outros

Por F. Lopes*
O título acima resume tudo o que penso sobre a maioria absoluta das nossas lideranças políticas. Tomei essa frase emprestada de Henry M. Joseph Frédéric Expedite Millon de Montherlant, escritor, ensaista e romancista francês que nasceu em 1896 e partiu em 1972, deixando um legado de valiosos romances e peças teatrais para a posteridade. Ao contrário de Henry de Montherlant, qual o legado que deixará a maioria dos nossos políticos? Oportunamente, reitero que este ano será importantíssimo para os destinos do nosso país, pois, além das eleições para o executivo (governador e presidente), deveremos escolher os deputados estaduais, federais e senadores.
Apesar de não darmos a devida importância ao voto para aqueles que irão compor o poder legislativo nas esferas estadual e federal, é importante salientar que são os nossos deputados e senadores que de fato conduzem os nossos destinos, pois são eles que criam as leis sobre os impostos, a segurança pública, a saúde e a educação, portanto, antes de votar em um deputado federal ou senador procure saber o que ele pensa sobre assuntos tão importantes como carga tributária, redução da maioridade penal, prisão perpétua, punição para crimes hediondos, controle de natalidade, habitação, saneamento básico e investimentos para a educação e saúde.
Se os nossos políticos são tão preocupados com a qualidade de vida do nosso povo, por que então se esquivam em tocar em assuntos tão corriqueiros e importantes para a população dos quatro cantos desse país? O fato é que tanto políticos quanto eleitores ficam anestesiados no período eleitoral diante da possibilidade de resolver os problemas pessoais, ou seja, basta receber a promessa de emprego, dinheiro ou benefícios para si ou para a família que o mais crítico dos eleitores esquece os problemas sociais. Felizmente, ainda conheço uma meia dúzia de pessoas que respeitam a si mesmas e ao restante da sociedade e que em hipótese alguma negociam seus votos ou suas convicções em troca de benefícios individuais. Como retaliação, essas pessoas jamais ocuparão cargos importantes, receberão título de cidadão ou serão reconhecidas pelo caráter íntegro. Essa é a nossa sociedade!
William Shakespeare, poeta inglês e reconhecido como o maior dramaturgo de todos os tempos, afirmou que “O Demônio não soube o que fez quando criou o homem político; enganou-se, por isso, a si próprio”. Eu sou um grande admirador de Shakespeare, entretanto, confesso que tenho grande desconfiança dos nossos políticos, especialmente aqueles que se vestem em pele de cordeiro para enganar a população. O mesmo Shakespeare afirmou que “O diabo pode citar as Escrituras quando isso lhe convém”, ou seja, no Século XVI já era bastante comum as lideranças políticas se utilizarem das igrejas e das escrituras sagradas para tirarem algum proveito em detrimento da grande maioria dos seus eleitores. Tenho acompanhado de perto os vários eventos políticos na nossa região e não é difícil perceber que alguns religiosos e políticos estão de braços dados em torno dos mesmos objetivos. Fica a impressão de que vale qualquer coisa para a captação de votos, aliás, não faz diferença o sufrágio do mais fervoroso cristão nem do mais radical ateu. O importante é que os líderes alcancem os seus objetivos e se for necessário se faz as coligações nunca dantes imaginadas, afinal, a política é a arte de captar em proveito próprio a paixão dos outros!


*F. LOPES é professor, pedagogo, acadêmico de Letras e membro da Academia Laranjalense de Letras. (E-mail: f.lopes.vj@bol.com.br).

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Novas eleições é um golpe contra a democracia

Por F. Lopes*

Alguns vereadores de Laranjal do Jari, motivados por convicções próprias, estão defendendo a realização de uma nova eleição para prefeito em Laranjal do Jari. Afirmam, baseado não sabe-se em quê, que a população clama por uma nova disputa. Respeito a opinião dos nobres legisladores, assim como a respeitei quando resolveram colocar a legalização do transporte alternativo de moto-táxi nas mãos dos eleitores, mas sinceramente, reivindicar uma nova eleição é uma afronta a todos os eleitores que foram às urnas no último pleito.
Uma nova eleição é um desrespeito, sobretudo, contra a maioria dos eleitores que reelegeram Euricelia Cardoso prefeita do município. Poderia ter sido eleito Barbudo Sarraff, Meire Serrão, Eliá Conrado, Rosângela ou Oswaldo Makell. Eu teria o mesmo posicionamento, pois aprendi que na democracia deve sempre prevalecer a vontade da maioria, mesmo sabendo que às vezes essa maior parte está seguindo pelo caminho errado.
Os nobres vereadores estão tentando extinguir um dos poucos direitos que o cidadão brasileiro ainda tinha que era escolher os seus representantes através das urnas. Uma nova eleição é um golpe contra a democracia. É um golpe contra o meu sagrado direito de escolher através das urnas o administrador que considero o melhor para o meu município, o Estado e o país. Mesmo tomando decisões erradas ao votar em candidatos que depois me arrependo, nunca abri mão de depositar o meu sufrágio nas urnas. Devo estar arrependido de ter colocado um desses legisladores na posição onde hoje se encontra, mas nem assim exigiria o direito de voltar atrás, pedindo uma nova eleição para vereadores, porque aprendi desde cedo que temos que nos responsabilizar pelas conseqüências dos nossos atos.
Quando me arrependo de ter votado em determinado candidato costumo dar o troco nas eleições seguintes. É assim que faço a correção. É assim que funciona a democracia. Lembro-me dos caras-pintadas que, envenenados pela oposição e pela imprensa em 1992, foram para as ruas exigir o impeachment de Fernando Collor.
A imprensa nos fez acreditar que toda a corrupção do Brasil estaria sendo extinta com a saída do presidente alagoano. Quanto romantismo! O ex-presidente Collor foi considerado um dos mais corruptos da história do país. Infelizmente, coisas piores ocorreram alguns anos depois nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula. Os jovens pintaram a cara e exigiram novas cassações, mas tudo acabou em pizza. A verdade é que os caras-pintadas serviram de massa de manobra. Não é verdade que Collor foi cassado porque o povo protestou, ele foi cassado porque os deputados decidiram cassá-lo. Collor hoje é aliado de José Sarney e defensor do presidente Lula. É assim que funciona. O mesmo exemplo serve para Laranjal do Jari.

*F. LOPES é professor, pedagogo, acadêmico de Letras e membro da Academia Laranjalense de Letras. (E-mail: f.lopes.vj@bol.com.br).

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Votar SIM no plebiscito sobre moto-táxi em Laranjal é aceitar uma nova opção de transporte

IVAN LOPES*

No próximo dia 27 de setembro os eleitores de Laranjal do Jari irão às urnas para votar favorável ou não a implantação do serviço de moto-táxi como transporte alternativo na cidade. A implantação da atividade no município laranjalense dependeria unicamente da aprovação da Câmara Municipal de Vereadores, entretanto, os legisladores locais encontraram uma saída interessante para fugir da briga entre a categoria dos taxistas e a população: idealizaram um plebiscito, transferindo para o povo a decisão de legitimar ou não o serviço.
Com o plebiscito, os vereadores evitaram comprar uma briga direta com os taxistas, que durante muitos anos comandaram sozinhos o setor; nem com a população que, refém do táxi como principal meio de transporte coletivo em Laranjal, deseja a implantação urgente de uma nova opção de transporte. Laranjal é uma das poucas cidades brasileiras que adotou o táxi como meio de transporte coletivo, pois como só possui uma via de acesso entre o centro comercial e os bairros, os taxistas acabam lucrando com o sistema de lotação no qual segue embarcando e desembarcando passageiros que em geral estão próximos da principal avenida da cidade, Tancredo Neves.
O problema é que a cidade cresceu e surgiram novas ruas e bairros, daí o sistema de lotação já não contempla o setor, pois para chegar aos locais mais distantes são cobrados dos usuários valores que chegam a R$ 15,00 e dependendo do destino ou do horário, os taxistas se negam a pegar a corrida. Os condutores alegam que o valor cobrado pode ser rateado entre os passageiros, mas nem sempre estes vão para o mesmo destino, o que impede o sistema de lotação. Como os poucos ônibus coletivos existentes não circulam a partir das 19 horas, a população fica refém do táxi. Vale ressaltar que os ônibus reduziram o horário de tráfego como forma de evitar os assaltos sofridos nos bairros periféricos.
Numa tentativa frustrada de impedir que a lei seja aprovada, representantes dos taxistas fazem o terrorismo psicológico contra a população argumentando que o serviço de moto-táxi provocará muitos acidentes no trânsito laranjalense ao ponto de o hospital local não atender a demanda de feridos. Também alegam que o serviço causaria o aumento dos índices de roubos e assaltos, pois os infratores se trajariam de motociclistas e usariam o capacete para não serem reconhecidos pelas vítimas. A mesma tese tem sido defendida por alguns vereadores, que não sabemos por quais motivos, não gostariam de ver a população tendo uma segunda opção de transporte no período noturno.
Há quem defenda o aumento das concessões das placas para novos táxis. Não há necessidade da expansão desse serviço, pois as 100 concessões existentes há muito tempo estão sendo alternadas, sendo que em um dia trafegam metade dos táxis e no outro dia trafegam o restante, numa comprovação de que a cidade tem mais táxis do que realmente precisa. Não adianta expandir o numero de veículos se as pessoas continuarão pagando o mesmo preço e sofrendo com os mesmos problemas.
O que a população está precisando mesmo é de novas alternativas. O ideal seria o aumento da frota de ônibus coletivos com veículos mais novos, ampliação das rotas e do período de circulação e obrigatoriedade de cumprimento dos horários para que os usuários não ficassem mais de uma hora esperando o transporte.
A população precisa dar um basta no monopólio. Dizer SIM no plebiscito para autorizar o serviço de moto-táxi significará apenas que os usuários estão aceitando uma nova opção. Isso não quer dizer que sejamos obrigados a utilizar o serviço, pois poderemos muito bem votar favorável ao novo transporte alternativo e continuarmos pegando o ônibus ou o táxi. A concorrência certamente causará redução de preços e diminuição dos abusos que são cometidos por alguns membros da categoria que hoje comanda o transporte na cidade. É por isso que os empresários do ramo não querem a legalização do serviço de moto-táxi. Agora, se o eleitor votar NÃO no plebiscito, estará automaticamente excluindo uma opção e um direito, o direito de escolha.

*IVAN LOPES é professor, pedagogo, acadêmico de Letras e membro da Academia Laranjalense de Letras. (E-mail: f.lopes.vj@bol.com.br - site: www.recantodasletras.com.br/autores/ivanlopes ou www.blogdoivanlopes.blogspot.com/

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A hipocrisia que vem de cima

IVAN LOPES* e PAULO BARREIROS**

Diante do panorama político nacional, ficamos muitas vezes a pensar que as coisas não são levadas muito a sério em nosso país. Ouvimos pessoas conceituadas da sociedade falar que os fins justificam os meios, achando uma válvula de escape para determinadas situações embaraçosas. Vejamos, por exemplo, o mar de lama no qual estão submetidos muitos dos políticos brasileiros. De onde deveria vir o exemplo de moral, honestidade, justiça, retidão e transparência na aplicação dos recursos públicos, ocorre justamente o contrário. Os atos secretos - uma prática comum dentro do Senado Federal -, é uma prova disso.

Denúncias por cima de denúncias são mostradas nos meios de comunicação e os acusados sempre argumentam que não sabem de nada, que não viram nada, que nem mesmo lembram dos coadjuvantes arrolados nos esquemas e que estão sendo vítimas de perseguição da imprensa. É interessante como são usados dois pesos e duas medidas neste país. Por motivos banais pessoas sem recursos sofrem as mais severas punições, mas com aqueles que detêm o poder econômico tudo termina em pizza, poder esse que muitas vezes é adquirido nos balcões de negócios obscuros.

É tão grande a insolência que já está virando mania dos nossos parlamentares afirmarem que não estão preocupados com a opinião pública. Num surto de sinceridade, o deputado federal Sérgio Moraes afirmou que estava se lixando para a opinião da sociedade e reiterou ainda que os seus pares compartilhavam da mesma opinião. Moraes era relator do processo de quebra de decoro parlamentar do Conselho de Ética e naquela ocasião disse que não via motivos para condenar Edmar Moreira, dono do castelo de R$ 25 milhões em Minas.

O deputado garantiu que não estava preocupado em absorver antecipadamente Edmar, deixando claro que não estaria também preocupado com o que a população iria pensar e declarou: “Estou me lixando para a opinião pública. Parte dela não acredita no que vocês (jornalistas) escrevem. Vocês batem, mas a gente se reelege".

Moraes foi sincero ao proferir tais palavras, infelizmente dias após tentou remendar o discurso e voltou atrás, ou seja, ele perdeu uma boa oportunidade de ser verdadeiro. O deputado também tem razão: os políticos fazem o que querem e acabam se reelegendo, com raras exceções. Foi assim com Antônio Carlos Magalhães, Jader Barbalho, Fernando Collor e tantos outros.

O deputado gaúcho apenas esqueceu de que o parlamento brasileiro tem a obrigação de dar o exemplo e que deveria haver uma criteriosa investigação da vida daqueles que almejam ser político. Ficamos muitas vezes com inveja dos exemplos que vem de outros países cujas notícias dão conta de políticos corruptos que são obrigados a devolver o que tomaram ilicitamente da sociedade e chegam a pagar os estragos cometidos contra a coletividade com a própria vida. Não que sejamos defensores da pena de morte ou de governos totalitários, mas é desejo da maioria dos cidadãos brasileiros que tenhamos leis mais severas contra os políticos corruptos.

É uma utopia pensar que vamos resolver os problemas do país de forma imediata, pois ainda vamos sofrer essas mazelas por muito tempo. Culpa da harmonia entre os poderes, pois com os conchavos que são firmados entre os diversos segmentos, somos nós que acabamos pagando o pato, ou melhor, o pacto!

*Professor, pedagogo, acadêmico de Letras e membro da Academia Laranjalense de Letras. (E-mail: f.lopes.vj@bol.com.br). **Professor, Pedagogo e funcionário público.(E-mail: barreirosjari3@gmail.com)

sábado, 8 de agosto de 2009

Porto de Moz se consolida na posição de cidade turística no Oeste do Pará

O sucesso no turismo é resultado dos investimentos na mídia e nos cuidados com a infra-estrutura da cidade

IVAN LOPES

A propaganda é alma do negócio. Isso é tão lógico e parece tão consensual, que a gente tem a impressão de que o assunto não carece de qualquer discussão. Estamos redondamente enganados. Há muitos comerciantes e gestores públicos que encaram os investimentos na mídia como um gasto desnecessário e sem retorno.

Há alguns anos cometi esse grave erro quando vi as praias de Natal e outras cidades do Rio Grande do Norte estampadas nas revistas de circulação nacional como Veja e Playboy. Logo na playboy, uma revista masculina de grande apelo erótico?! Como poderia um governante gastar dinheiro público numa revista destas se considerarmos que a população daquele Estado padecia com a falta de alimentação, escassez de água e problemas na educação, saúde e infra-estrutura? Não seria uma afronta aos princípios daquele povo conservador e altamente religioso?! É, confesso que foi justamente assim que interpretei aquele fato e hoje me envergonho disso.

Os governantes do RN estavam corretos. Eu Estava redondamente enganado. O objetivo do governante que utilizava as páginas das revistas de grande circulação nacional para mostrar as belezas naturais do Estado paradisíaco foi alcançado através dos anos. Hoje, o turismo é uma das atividades mais rentáveis para os potiguares. Juntamente com o turismo vieram os grandes investidores nacionais e internacionais e Natal e o resto do Rio Grande do Norte cresce desenfreadamente. Graças a melhoria da situação econômica do Estado, foram feitos importantes investimentos nos setores de saneamento básico e o abastecimento de água, por exemplo, já não é um dos problemas mais graves daquele povo.

Hoje, todos querem morar em Natal. O Estado tem 400 quilômetros de praias lindíssimas, limpas e aconchegantes que, aliadas a hospitalidade dos potiguares, coloca o Rio Grande do Norte numa posição de destaque no turismo mundial. As pessoas se educaram para atender aos turistas e todos incorporaram o espírito hospitaleiro. Do taxista ao gari, todos têm o prazer de prestar informações e de tratar bem aos que visitam o Rio Grande do Norte.

Essa historinha é apenas para introduzir outra história mais recente que ocorre na nossa região: o turismo em Porto de Moz, no Oeste do Estado do Pará, na região do Xingu.

Há alguns anos ninguém praticamente conhecia as belezas naturais desse belíssimo município, até que à convite do prefeito da época, o Jornal Folha Vale do Jari começou a estampar em suas capas as fotografias coloridas dos paraísos existentes naquela cidade. As praias de água doce, os rios de águas cristalinas, o Festival de Veraneio (FEST SOL) e principalmente o comportamento pacífico e hospitaleiro dos portomozenses chamaram a atenção dos leitores da região do Vale do Jari, do Oeste do Pará e do restante do Amapá e Brasil. Hoje, não é possível voltar atrás. Muitas pessoas que costumavam viajar para outros destinos no mês de julho, tornaram assíduos participantes do Fest Sol.

A cidade de Porto de Moz descobriu no turismo uma das principais fontes de geração de renda e trabalho. A economia antes baseada quase que totalmente na exploração dos seus recursos naturais não-renováveis, agora passa a ser vista com bons olhos por todos os visitantes, pois não há qualquer agressão a natureza. A exemplo dos potiguares e principalmente dos natalenses, a população de Porto de Moz incorporou o espírito turístico e atualmente é vista como um povo hospitaleiro, tranqüilo, respeitador, gentil e atencioso.

Laranjal do Jari, no sul do Amapá, tem ao dispor vários balneários interessantes e a cachoeira de Santo Antônio (na verdade são cataratas, pois são diversas corredeiras e quedas d’água que formam um dos mais belos cenários do mundo) que poderiam ser transformadas em grandes atrações turísticas. Infelizmente essa localidade continua se encolhendo para o turismo, pois os governantes não investem em infra-estrutura e segurança pública. A cidade está cada vez mais apática e sofre com problemas crônicos como falta de estradas pavimentadas, eletricidade de qualidade, saúde, saneamento básico e uma rede de bons hotéis. É uma pena, pois a população já comprovou que também tem um espírito empreendedor, principalmente no terceiro setor econômico que compreende a prestação de serviços aos turistas.

Espero que os outros governantes aproveitem esses dois recortes da história para tomar consciência do papel importante que tem a mídia. Reitero que muitos gestores têm mania de avaliarem que os pequenos investimentos nos meios de comunicação são despesas desnecessárias. É gente que pensa pequeno e quem pensa pequeno terá atitudes ainda mais minimalistas. Parabéns para os potiguares e para os portomozenses que souberam em algum momento de sua história, escolher representantes que pensaram como gente grande!

*IVAN LOPES é professor, pedagogo, acadêmico de Letras, membro da Academia Laranjalense de Letras, Redador-chefe do Jornal Vale do Jari e colunista permanente do Jornal A Gazeta de Macapá. (E-mail: f.lopes.vj@bol.com.br -

site: www.recantodasletras.com.br/autores/ivanlopes)

Não confio em políticos

IVAN LOPES*

Ao ser incluída na relação dos senadores que usaram as cotas parlamentares de passagens para fazer doação a familiares, a presidente do PSOL, Heloísa Helena contra-atacou: “Não tentem me misturar com esses bandidos. Estou em paz com a minha consciência”. O filho da ex-senadora se utilizou do privilégio para viajar com o dinheiro público, entretanto, Heloísa Helena se considera muito superior aos seus pares. Os que integram o grupo de admiradores radicais da política alagoana também acreditam piamente na sua honestidade e são capazes de acreditar que Helena sempre estará num plano superior totalmente blindada e imune às fraquezas do resto da humanidade.

Mantendo a sina da maioria dos proletários brasileiros, mantive por muito tempo uma ideologia socialista e utópica, na qual acreditava que os políticos da esquerda eram pessoas incapazes de praticar os mesmos erros dos governantes da direita. Lula, aquele de quem sempre fui grande admirador, conseguiu me provar em poucos meses de governo que filosofia de vida e poder nem sempre são compatíveis. Aquele que lutou a vida inteira contra banqueiros, patrões, Fundo Monetário Internacional (FMI) e ALCA, logo cuidou de trazê-los para o seu lado como forma de garantir a tal “governabilidade”. O sindicalista que se fez importante e famoso ao liderar as greves num passo de mágica passou a condená-las.

Tive o prazer de entrevistar Heloísa Helena em Macapá há alguns na Unifap. Eis uma mulher determinada e corajosa a quem tanto admiro. Fico a me perguntar: Uma vez no poder, o que há de diferente em Lula e Heloísa Helena no comando do Brasil? E entre Waldez e Capiberibe no Estado do Amapá? E entre Euricelia Cardoso e Barbudo em Laranjal do Jari? Eu tenho minhas preferências que são embasadas numa série de requisitos. Mas também confesso que há casos de políticos que gosto sem qualquer explicação técnica ou lógica.

Seria ausência de sensatez se considerasse que todos os mandatários são exatamente iguais, pois cada um ser é ímpar e possui convicções que lhes são peculiares, mas a política os torna muito semelhantes, quase cópias perfeitas. O discurso torna-se afinado. Os pretextos para não atender as prioridades da população são os mesmos. O que antes das eleições era totalmente viável torna-se impossível depois que o vencedor assume o comando. Os fartos recursos tornam-se escassos. O que antes poderia ser feito de qualquer jeito passa a seguir a burocracia que a lei determina. Aquele que procurava o povo, agora se esconde. O pior de tudo é ainda ter que suportar o discurso populista, típico dos grandes ditadores.

O que distancia um ser do outro é o poder. É o mesmo poder que também tornam iguais as convicções ideológicas dos nossos políticos e autoridades. Não há santos no poder. Se existisse alguma coisa nessa vida a que eu pudesse santificar, seria a ingenuidade e a ignorância daqueles que acreditam que algum ser humano estará imune aos privilégios, as mordomias e a corrupção histórica que foi instalada no âmbito político há mais de 500 anos neste país.

*IVAN LOPES é professor, pedagogo, acadêmico de Letras e membro da Academia Laranjalense de Letras. (E-mail: f.lopes.vj@bol.com.br -

site: www.recantodasletras.com.br/autores/ivanlopes)